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A cúpula no Alasca entre Donald Trump e Vladimir Putin em 15 de agosto redefiniu radicalmente o tabuleiro geopolítico da guerra na Ucrânia. Ao receber Putin com honras militares inéditas — tapete vermelho, sobrevoo de bombardeiros B-2 e uso da limousine presidencial “A Besta” —, Trump sinalizou o fim do isolamento russo. Após três horas de negociações, nenhum cessar-fogo foi anunciado, mas Putin obteve concessões estratégicas: referências vagas a “acordos” e à eliminação das “causas profundas do conflito”, código para exigências russas de reconhecimento da Crimeia anexada, controle total do Donbas, neutralidade ucraniana e veto à OTAN.

Em reversão drástica, Trump abandonou sua exigência de cessar-fogo imediato e adotou a abordagem russa de negociar uma “paz permanente” à custa de território ucraniano. No dia seguinte, pressionou publicamente Volodymyr Zelensky no Truth Social: “Zelensky pode encerrar a guerra quase imediatamente […] nada de recuperar a Crimeia dada por Obama!”. Assessores revelaram que Trump defendeu nos bastidores a cessão de todo o Donbas (inclusive áreas sob controle ucraniano) e da Crimeia, em troca de promessas não verificáveis de “proteções estilo Artigo 5” — uma manobra que ecoa a retórica do Kremlin.

O encontro de 18 de agosto na Casa Branca transformou-se em palco de coerção. Zelensky chegou cercado por líderes europeus (Reino Unido, Alemanha, França, Itália, UE e OTAN) para evitar isolamento, enquanto em Kiev funerais de soldados exibiam cartazes: “Não nos vendam!”. Trump reiterou exigências cruciais: desistência definitiva da Crimeia, renúncia à OTAN e aceitação de ajustes fronteiriços (“land swap”) no Donbas favoráveis à Rússia. Zelensky respondeu com firmeza pragmática: “Os ucranianos lutam por sua terra e independência […] Paz não é ausência de guerra; é presença de justiça”. Exigiu garantias de segurança “mais fortes que as do passado” e lembrou que concessões em 2014 só incentivaram novas agressões. A Europa atuou como fiadora crítica: Keir Starmer (Reino Unido) e Emmanuel Macron (França) uniram-se para declarar que “fronteiras não mudam pela força”, enquanto diplomatas expressaram desconfiança sobre a busca de Trump por um “Nobel da Paz rápido”, ignorando riscos estratégicos.

A nova postura americana desencadeia riscos existenciais. A exclusão da Ucrânia da OTAN incentivaria ataques russos a países não-alinhados como Geórgia e Moldávia. Validar anexações por força minaria a ordem internacional pós-1945, criando precedente para conflitos globais. As promessas de Putin carecem de credibilidade: em 2022, o parlamento russo já aprovou leis anexando regiões ucranianas. Diplomatas ucranianos alertam que o “land swap” proposto por Trump entregaria 18% do território nacional, incluindo cidades estratégicas como Sloviansk, ainda sob controle de Kiev. A resistência de Zelensky ganhou reforço inesperado: em 19 de agosto, o Pentágono liberou US$ 300 milhões em armas estocadas na Polônia, contornando a oposição de Trump — movimento visto como tentativa do “deep state” de sustentar Kiev.

O Alasca não foi sobre a Ucrânia, mas sobre a redefinição da relação EUA-Rússia. Ao vestir a retórica putinista de “paz permanente”, Trump deu ao Kremlin sua maior vitória diplomática desde 2022. Mas a coalizão liderada por Zelensky transformou a Casa Branca em campo de batalha alternativo, onde soberania confronta realpolitik nuclear. Enquanto Putin declara o Alasca “útil” e convida Trump para Moscou, Zelensky voa para Bruxelas, onde a Cúpula Europeia de Emergência discutirá em 20 de agosto um plano de segurança alternativo, incluindo garantias bilaterais de França e Reino Unido. O embaixador ucraniano em Washington resume: “Trump quer sair desta guerra; Putin quer entrar nos livros de história; Zelensky quer sobreviver”. O mundo aguarda se a resistência ucraniana — agora lastreada por armas ocidentais sorrateiras e união europeia — forçará Trump a recuar ou se a rendição será imposta como “paz”.

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