O governo argentino, liderado pelo presidente Javier Milei, ingressou com uma ação judicial na Justiça Federal contra uma operação de inteligência ilegal que visa desestabilizar o país durante o período eleitoral.
A denúncia, anunciada pelo porta-voz presidencial Manuel Adorni, alega que conversas privadas de Karina Milei – irmã do presidente e secretária-geral da presidência – foram gravadas, manipuladas e divulgadas ilegalmente para condicionar o Poder Executivo. O caso surge em meio a alegações não comprovadas de corrupção e a um clima de polarização política exacerbada, com eleições legislativas e provinciais previstas para setembro e outubro .
A crise teve início com o vazamento de áudios atribuídos a Karina Milei, supostamente gravados dentro da Casa Rosada, sede do governo argentino. Nos registros, Karina é ouvida pedindo união entre membros do governo e mencionando sua rotina exaustiva de trabalho, sem qualquer menção a crimes ou irregularidades .
No entanto, a divulgação desses áudios foi vinculada a um contexto mais amplo de acusações de corrupção envolvendo a Agência Nacional de Deficiência (Andis), nas quais o ex-diretor Diego Spagnuolo alega, sem apresentar provas concretas, que Karina Milei e o subsecretário Eduardo “Lule” Menem estariam envolvidos em um esquema de suborno .
A reação do governo foi imediata. Manuel Adorni classificou o vazamento como um “ataque ilegal, planejado e direcionado“, destacando que a gravação de funcionários dentro da Casa Rosada é um evento sem precedentes na história argentina . Adorni também vinculou a timing das divulgações ao calendário eleitoral, sugerindo que a operação busca prejudicar La Libertad Avanza, partido de Milei, nas eleições de setembro e outubro . Um juiz federal emitiu uma ordem prohibindo a publicação dos áudios, mas parte do material já havia sido divulgada em plataformas de streaming, intensificando a controvérsia .
Especialistas em direito constitucional questionam a legalidade das gravações, argumentando que a captação não autorizada de conversas privadas viola garantias fundamentais e configura possível espionagem ilegal . Além disso, a defesa de Milei enfatiza que as acusações de corrupção carecem de evidências sólidas e parecem ser parte de uma estratégia política coordenada por setores opositores, incluindo grupos peronistas e kirchneristas, que buscam enfraquecer o governo .
O contexto político é agravado por protestos violentos contra Milei, como o ocorrido em Lomas de Zamora, onde manifestantes atiraram pedras e garrafas no veículo do presidente durante um comício . Milei atribuiu a violência a “grupos barbarizados” ligados ao kirchnerismo e reafirmou seu compromisso com a agenda de reformas estruturais . Economicamente, o governo continua a implementar medidas de austeridade e desregulamentação, que, embora polêmicas, são vistas por analistas de direita como necessárias para corrigir distorções herdadas de administrações anteriores .
A crise atual representa um teste significativo para a estabilidade do governo Milei e para a democracia argentina. As ações judiciais movidas pelo governo poderão elucidar a existência de uma operação de desestabilização, mas o caso já impacta a percepção pública e o ambiente eleitoral.
Se comprovada a manipulação dos áudios, a oposição poderá enfrentar consequências legais e perda de credibilidade. Por outro lado, se as investigações revelarem indícios de irregularidades no governo, a pressão sobre Milei tende a aumentar.
Os próximos passos incluem o acompanhamento das eleições de setembro e outubro, que servirão como termômetro para o apoio popular ao presidente, e o desfecho judicial das denúncias. Independentemente do resultado, o caso expõe a profundidade da polarização política na Argentina e os riscos de instrumentalização do sistema judicial para fins políticos .














