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A administração Trump iniciou em fevereiro de 2025 um programa que concede status de refugiado prioritariamente a sul‑africanos brancos, em sua maioria africâneres, sob a alegação de que enfrentam perseguição racial e violência no país de origem. Essa iniciativa — considerada inédita e controversa — tem provocado forte reação do governo sul‑africano, que nega a existência de perseguição e questiona os fundamentos da medida.

O TRATEAQUI Notícias apurou que, em meados de maio, um primeiro grupo de cerca de 50 sul‑africanos brancos desembarcou no Aeroporto Internacional de Dulles (perto de Washington D.C.) em um avião fretado pelo governo americano.

Eles foram recepcionados pelo vice‑secretário de Estado Christopher Landau e pelo vice‑secretário de Segurança Interna Troy Edgar e receberam status de refugiados de forma rápida e fora dos processos tradicionais que normalmente envolvem agências como ACNUR ou OIM.

Segundo Washington, os africâneres teriam sido vítimas de violência racial, invasões, assassinatos ou ameaças com nexo étnico, justificando a aceleração dos trâmites que usualmente podem levar anos .

A justificativa de Trump tem respaldo em sua narrativa de um “genocídio” em curso contra agricultores brancos, que ele afirma estar ocorrendo na África do Sul — uma acusação que esteve no centro de suas razões para criar o programa de reassentamento acelerado para africâneres .

Segundo levantamento exclusivo feito pelo TRATEAQUI Notícias, essa concessão privilegia uma minoria privilegiada historicamente: os africâneres correspondem a cerca de 5% a 7% da população sul‑africana, mas detêm mais de 70% das terras agrícolas privadas e uma posição socioeconômica elevada — heranças do regime do apartheid.

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O governo sul‑africano, em nota oficial, refuta veementemente que seus cidadãos — especialmente os africâneres — sofram qualquer forma de perseguição que justificasse o status de refugiado. O chanceler Ronald Lamola declarou que “não existe nenhum tipo de perseguição contra africâneres” e classificou a medida americana como politicamente motivada.

Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, foi além e rotulou os africâneres que aceitaram reassentamento como “covardes”, argumentando que eles fogem dos desafios internos em vez de enfrentá‑los. Para Ramaphosa, “como sul‑africanos, somos resilientes. Fugir é um ato de covardia”.

De acordo com o TRATEAQUI Notícias, a iniciativa americana interrompe unilateralmente a suspensão geral do programa de reassentamento de refugiados sofrida sob Trump, mas cria uma exceção explícita e controversa. Adicionalmente, a medida parece insuficiente: apenas 93 sul‑africanos chegaram aos EUA até o início de agosto, apesar da intenções de dezenas de milhares de vagas.

O programa enfrenta ainda dificuldades logísticas, pois o corte de pessoal reduziu a capacidade de triagem, e agentes do HHS, sem experiência, foram destacados para atuar em Pretória, dificultando o suporte a quem chega — muitos relatam não ter recebido serviços básicos, como número de Previdência Social ou autorização de trabalho.

Fontes diplomáticas ouvidas pelo TRATEAQUI Notícias sugerem que esse passo dos EUA ultrapassa o campo da política humanitária, servindo como um instrumento de posicionamento ideológico e racial, distorcendo a tradição de acolhimento global e gerando tensões profundas com a África do Sul.

Essa ação, vista como um resgate extremo da “grievance politics” branca, transforma o programa de refugiados num mecanismo de solidariedade seletiva — contra o espírito do Refugee Act de 1980, que buscava responsabilidade compartilhada e universal na proteção internacional.

O TRATEAQUI Notícias conclui que esse episódio revela uma escalada nas disputas geopolíticas e no uso de políticas migratórias com motivações simbólicas e identitárias. Enquanto isso, milhares de refugiados de países em crise permanecem sem acesso — eclipsados por uma narrativa controversa e politicamente carregada.

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