Anúncio

A aprovação do primeiro ETF de Dogecoin (DOJE) pela Securities and Exchange Commission (SEC) em setembro de 2025 marcou um ponto de virada histórico para as criptomoedas alternativas, consolidando um movimento de institutionalização de ativos digitais que antes eram vistos como meras apostas especulativas. O fundo, que começou a ser negociado em 12 de setembro na NYSE Arca sob o ticker DOJE, representa a primeira incursão regulatória dos Estados Unidos no universo das meme coins e abre caminho para uma nova era de investimentos em criptoativos além do Bitcoin .

De acordo com apuração do TRATEAQUI Notícias, o DOJE não é um ETF spot – ou seja, não detém Dogecoins diretamente. Em vez disso, opera por meio de derivativos baseados em futuros de DOGE, estruturados através de uma subsidiária nas Ilhas Cayman. Essa estratégia bypassa desafios de custódia física e aproveita a Lei de Companhias de Investimento de 1940, tradicionalmente usada para fundos mútuos, diferentemente dos ETFs de Bitcoin, regulados pela Lei de Valores de 1933 . Com uma taxa de administração de 1,5% (superior à média de 0,2%-0,4% dos ETFs de Bitcoin), o DOJE atrai investidores que buscam exposição a Dogecoin sem a complexidade de custodiar criptomoedas em *wallets* privadas ou exchanges não regulamentadas .

O impacto imediato no mercado foi significativo. Dogecoin registrou alta de 6% nas 24 horas anteriores ao lançamento, com volumes de trading superando 1,1 bilhão de unidades e acumulação de mais de 280 milhões de DOGE por whales (grandes investidores) . Analistas técnicos destacaram a quebra de um padrão gráfico pennant altista, com alvos de curto prazo entre US$ 0,29 e US$ 0,30 – um aumento de até 50% em relação aos patamares de setembro . Esse movimento reflete uma confiança renovada não apenas em Dogecoin, mas em todo o segmento de altcoins, que viram valuation coletivo crescer 45% no tercer trimestre de 2025, impulsionado por expectativas de cortes de juros e maior adoção institucional .

Entretanto, a SEC mantém uma postura cautelosa em relação aos ETFs spot. Em 10 de setembro, a agência adiou para 12 de novembro de 2025 a decisão sobre aplicações de ETFs spot de Dogecoin apresentadas pela Bitwise e pela Grayscale, citando preocupações com volume diário (US$ 1 bilhão para DOGE versus US$ 1,5 bilhão para Bitcoin) e riscos de manipulação em um mercado ainda fragmentado . Esse atraso é parte de um cenário mais amplo: até agosto de 2025, 92 solicitações de ETFs relacionados a criptomoedas aguardavam análise, incluindo pedidos para Solana, XRP, Cardano e Hedera .

A aprovação do DOJE simboliza mais do que uma inovação financeira – é um teste ao conceito de utilidade no mercado de criptoativos. Como destacou Eric Balchunas, analista da Bloomberg, o DOJE é “o primeiro ETF dos EUA a deter algo que não tem utilidade por design” . Dogecoin, criada como uma paródia em 2013, agora rivaliza com Litecoin em valor de mercado (US$ 15 bilhões versus US$ 5 bilhões) e é impulsionada por cultura de internet, endorsos de celebridades como Elon Musk, e trading especulativo .

Para investidores conservadores, os ETFs de altcoins oferecem vantagens tangíveis: acesso simplificado via corretoras tradicionais (como Fidelity), liquidez ampliada, integração em portfólios diversificados (incluindo IRAs e 401(k)s) e supervisão regulatória que reduz riscos de hacks ou quebra de exchanges . No entanto, os riscos permanecem substanciais. A volatilidade inerente a memecoins – Dogecoin teve alta de 1.957% em 2021 – pode levar a perdas abruptas, enquanto erros de rastreamento em ETFs baseados em derivativos e taxas administrativas mais altas corroem retornos . Além disso, a dependência de terceiros (como Coinbase para custódia) introduz riscos de contraparte não segurados pelo FDIC .

Anúncio

O TRATEAQUI Notícias apurou que a tendência deve acelerar a convergência entre cultura de internet e finanças tradicionais. James Seyffart, analista da Bloomberg, prevê que “haverá uma enxurrada de produtos como este, quer você ame ou odeie, eles chegarão ao mercado” . Empresas como Grayscale já estão buscando converter fundos de Litecoin (LTC) e Bitcoin Cash (BCH) em ETFs, replicando o modelo bem-sucedido com Bitcoin . No Brasil, a CVM emitiu orientações recentes (Ofício-Circular nº 4/2025) facilitando a criação de ETFs e BDRs de criptoativos, sinalizando alinhamento com práticas globais .

Em última análise, o sucesso do DOJE será um termômetro para a maturidade do mercado. Se capturar fluxos significativos – como os US$ 10 bilhões em seis meses que ETFs de Bitcoin atraíram –, poderá catalisar uma onda de produtos similares para outras altcoins . Se fracassar, reforçará o ceticismo sobre a sustentabilidade de ativos sem utilidade fundamental. Para investidores, a lição é clara: a regulamentação chegou para ficar, mas especulação e inovação continuarão a andar de mãos dadas no mundo cripto.

Anúncio