Em um movimento que redefine o acesso à mobilidade no Brasil, o programa Carro Sustentável instituído pelo governo federal em julho de 2025 devolveu ao mercado veículos zero quilômetro por valores inferiores a R$ 70 mil – patamar não visto desde o início da década . O decreto presidencial, que integra o programa MOVER (Mobilidade Verde e Inovação), zerou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos compactos fabricados nacionalmente que atendam a critérios rigorosos de eficiência energética, reciclabilidade e baixas emissões . Segundo apuração da equipe do TRATEAQUI Notícias, a medida já resultou em descontos de até R$ 20,8 mil em modelos como a Saveiro Robust, enquanto o Renault Kwid Zen retornou à faixa de R$ 67 mil .
O programa, que terá vigência até dezembro de 2026, exige que os veículos beneficiados emitam menos de 83g de CO₂ por quilômetro, contenham mais de 80% de materiais recicláveis e sejam integralmente fabricados no Brasil – incluindo etapas como soldagem, pintura e montagem do motor . Embora popularmente chamado de “Lei dos Carros Populares”, trata-se na realidade de um decreto executivo que não requer aprovação legislativa, focando em benefícios fiscais diretos sem impacto na arrecadação . O mecanismo opera sob a lógica de bônus-malus: enquanto veículos eficientes têm alíquotas reduzidas, modelos poluentes sofrem aumentos tributários .
De acordo com análise do TRATEAQUI Notícias, a estratégia governamental alia objetivos ambientais a estímulos econômicos. O ministro Geraldo Alckmin destacou que o programa “estimula a cadeia automotiva a ser inovadora e sustentável, gerando empregos e facilitando o acesso a carros novos” . Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que montadoras como General Motors, Renault, Volkswagen, Hyundai e Stellantis já credenciaram 32 versões de modelos elegíveis, incluindo Onix, Kwid, HB20 e Mobi .
O impacto imediato nos preços surpreendeu analistas. A Renault reduziu o Kwid Zen em 17%, de R$ 80.690 para R$ 67.290, enquanto a Fiat aplicou desconto de R$ 13 mil no Mobi Like . A Volkswagen, além de incluir o Polo Track no programa, estendeu descontos agressivos a veículos não elegíveis como o T-Cross e o Nivus, sugerindo uma estratégia competitiva ampliada . Curiosamente, carros elétricos foram excluídos dos benefícios por não cumprirem o requisito de fabricação nacional integral – um detalhe que revela o foco na proteção da indústria doméstica .
Economicamente, o programa representa uma virada após anos de encarecimento dos veículos. Entre 2020 e 2025, o preço médio dos carros populares saltou de R$ 45 mil para oltre R$ 80 mil, excluindo milhões de brasileiros do acesso a veículos novos . A medida também responde à concorrência de importados chineses, que dominaram segmentos de entrada sem gerar empregos locais . Para especialistas, a iniciativa pode renovar a frota nacional – com média de 10 anos – e reduzir emissões, já que carros newer emitem até 30% menos poluentes .
Contudo, há críticas sobre a sustentabilidade fiscal e o potencial inflacionário. O governo argumenta que o sistema de compensação (aumento de impostos para veículos poluentes) garantirá equilíbrio financeiro . Além disso, o prazo limitado do programa – até dezembro de 2026 – cria um horizonte de curto prazo que pode antecipar compras sem resolver structuralmente a questão tributária automotiva .
O TRATEAQUI Notícias apurou que o programa já mobiliza as montadoras para ajustes produtivos. A Fiat reintroduziu o motor 1.0 Firefly no Mobi para atendrer critérios de eficiência, enquanto a Volkswagen reinvestiu em versões manuais do Polo . O resultado é um raro cenário de ganho triplo: indústria aquecida, consumidores com preços acessíveis e redução de impact ambientais. Se mantida a adesão, a medida poderá reverter uma década de elitização do acesso automotivo no Brasil.














