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A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) vive um momento decisivo em sua trajetória pós-privatização com a primeira revisão tarifária desde que deixou o controle estatal. O processo, conduzido pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (ARSESP), deve definir as novas tarifas para 2026 e consolidar o modelo de gestão privada que tem atraído otimismo do mercado financeiro. De acordo com as projeções do Goldman Sachs, a revisão pode resultar em aumentos tarifários de até 12% no cenário base, com possibilidade de variação entre 3% e 17% dependendo da metodologia aplicada para cálculo de investimentos e base de ativos .

A Sabesp já encaminhou à ARSESP seu relatório de avaliação de ativos, aguardando validação até 30 de setembro. Embora não haja confirmação sobre a divulgação pública desses números, as tarifas finais devem ser anunciadas até 1º de dezembro, trazendo clareza para consumidores e investidores.

O relatório inclui a avaliação da Base de Ativos Regulatórios (RAB), que according to Goldman Sachs, deve atingir R$ 87 bilhões em valores de 2025, considerando unitização de R$ 9 bilhões, depreciação regulatória de R$ 3,1 bilhões e ajuste monetário de R$ 3,4 bilhões .

A revisão tarifária representa um marco no modelo de negócios da empresa, que passou a adotar uma lógica de mercado com foco em eficiência e retorno aos acionistas. Desde a privatização, a Sabesp implementou mudanças operacionais significativas, incluindo redução de custos e terceirizações, que resultaram em economia de 35% em gastos com pessoal, material e serviços . Essas medidas têm permitido à empresa gerar caixa suficiente para financiar investimentos ambiciosos, como o plano de aplicar R$ 70 bilhões até 2029, quase metade já contratada .

A equipe do TRATEAQUI Notícias apurou que a modernização do marco regulatório tem sido fundamental para atrair capital privado e impulsionar a expansão dos serviços de saneamento. O novo modelo elimina antigas deficiências do sistema público, como o atraso de 18 meses entre a execução de investimentos e seu reconhecimento na RAB. A emenda de dezembro de 2024 busca corrigir essa distorção, permitindo que a empresa seja remunerada mais rapidamente pelos investimentos realizados .

Apesar das críticas de setores ideologicamente contrários à privatização, que alegam demissões em massa e aumento de tarifas , os números mostram uma realidade diferente. A Sabesp tem superado metas operacionais, atingindo 111% nas economias de água e 86% nas economias de esgoto , enquanto avança no objetivo de universalizar os serviços até 2029. A empresa também mantém uma política de dividendos atraente, com previsão de distribuir até 100% do lucro líquido aos acionistas a partir de 2030 .

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Para os consumidores, a revisão tarifária trará ajustes necessários para garantir a sustentabilidade financeira da empresa e a contínua melhoria dos serviços. É importante destacar que as tarifas efetivamente percebidas pelos usuários finais podem ser menores que os percentuais de ajuste, dependendo da alocação de recursos do FAUSP (Fundo de Universalização do Saneamento Básico) . Isso significa que o impacto real nas contas de água pode ser atenuado por mecanismos de compensação social.

O mercado financeiro tem respondido positivamente às transformações da Sabesp. As ações da empresa valorizaram-se 26% nos últimos 12 meses , com o Itaú BBA elevando sua recomendação para compra e projetando valorização adicional de 36% em 2025 . O Santander estabeleceu preço-alvo de R$ 122,02 por ação , enquanto o Goldman Sachs mantém sua recomendação de compra com preço-alvo de R$ 146 , destacando o múltiplo atraente de 1,07 vez Valor da Firma sobre RAB projetada para 2026.

A revisão tarifária de dezembro de 2025 será um teste crucial para o modelo de privatização do saneamento em São Paulo. Se bem-sucedida, consolidará a Sabesp como case de transição bem-sucedida do público para o privado, equilibrando retorno para acionistas com investimentos em expansão e qualidade dos serviços.

O momento é de cautela otimista para investidores e de expectativa para os consumidores, que deverão colher os frutos de um sistema mais eficiente e financeiramente sustentável a médio e longo prazos.

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