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Vinte anos separam o ápice de uma lenda do seu retorno triunfal ao palco que consagra os deuses do futebol. Nesta segunda-feira, 22 de setembro de 2025, o Théâtre du Châtelet, em Paris, testemunhará um momento carregado de simbolismo puro: Ronaldinho Gaúcho, o homem que há exatas duas décadas conquistou o mundo com seu futebol irreverente e sua felicidade contagiante, será o encarregado de coroar o novo rei do esporte bretão . Mais do que uma mera função protocolar, a escolha do brasileiro é um recado eloquente da revista France Football em um momento de crise de identidade do mais tradicional prêmio individual do futebol. Enquanto o astro Kylian Mbappé sequer aparece entre os favoritos e o poderoso Real Madrid mantém seu boicote à cerimônia, a organização aposta no carisma e no legado incontestável de Ronaldinho para tentar lavar a alma de um prêmio cada vez mais questionado pela politicagem que o cerca.

A confirmação foi feita pelo próprio estafe do ex-jogador a veículos de imprensa de peso, afastando qualquer sombra de rumor . Ronaldinho, que em 2005 alcançou o ponto mais alto de sua carreira ao levantar a Bola de Ouro, retorna agora na condição de lenda viva, um símbolo de um futebol alegre que parece escasso nas gerações atuais. A cerimônia, que tem início previsto para as 16h (horário de Brasília), será transmitida globalmente pela TNT e via streaming . O TRATEAQUI Notícias apurou que a expectativa dos organizadores é que a simples presença do brasileiro, com seu sorriso fácil e sua popularidade eterna, gere um impacto midiático positivo, capaz ofuscar as polêmicas que mancham o evento. Em tempos de clube-empresa e jogadores-marca, Ronaldinho representa a essência do talento bruto e da paixão pelo jogo, valores que a France Football desesperadamente tenta reassociar à sua premiação.

A ironia histórica não poderia ser mais perfeita. Ronaldinho Gaúcho, em sua época de jogador, foi um ídolo tanto do Barcelona quanto do Paris Saint-Germain, os dois clubes que hoje concentram os grandes favoritos ao prêmio . Do lado blaugrana, o jovem fenômeno Lamine Yamal, de apenas 18 anos, e o brasileiro Raphinha são fortes candidatos. Pelo clube francês, o astro Ousmane Dembélé e o português Vitinha brigam pela honraria máxima . A escolha de Ronaldinho, portanto, é um movimento politicamente neutro e sagaz, pois evita qualquer acusação de tendenciosidade clubística. No entanto, segundo apuração da equipe do TRATEAQUI Notícias, essa neutralidade esconde uma guerra silenciosa nos bastidores, onde o PSG viu sua delegação ser praticamente dizimada na cerimônia devido a um jogo atrasado da Liga Francesa contra o Olympique de Marseille, marcado para o mesmo horário . Uma coincidência que muitos enxergam como um sinal de desrespeito institucional.

Enquanto Ronaldinho é colocado no centro do evento, uma ausência de peso gruda como uma sombra na cerimônia: a do Real Madrid. Pelo segundo ano consecutivo, o clube merengue boicota oficialmente a Bola de Ouro . Em 2024, a decisão foi tomada após o club saber que Vinicius Junior não seria o vencedor, cancelando a viagem de sua comitiva a Paris já com as malas prontas. Este ano, a ausência é ainda mais gritante. Apesar de ter em seu elenco nomes como o próprio Vini Jr. (que ficou na 16ª posição no ranking divulgado previamente), Jude Bellingham (23º) e o recém-contratado Kylian Mbappé, o clube não enviará qualquer representante de sua cúpula diretiva . O silêncio do Bernabéu é um protesto mudo, mas que ecoa alto nos corredores do Châtelet: o maior clube do século está em guerra aberta com o maior prêmio individual do futebol.

A situação de Kylian Mbappé é, por si só, um capítulo emblemático da crise. O atacante francês, outrora tido como o futuro dominador da premiação, sequer é apontado como um dos finalistas ao troféu nesta edição. Sua mudança para o Real Madrid, longe de projetá-lo para o Olimpo, parece tê-lo diluído em um elenco de astros, enquanto a narrativa da mídia europeia se volta para outros nomes. Essa queda abrupta no cenário midiático levanta questões incômodas sobre até que ponto o prêmio realmente reflete o mérito esportivo ou se tornou refém de campanhas de marketing e de conveniências políticas. O fato de um dos jogadores mais bem pagos e midiáticos do mundo ser praticamente ignorado na disputa principal não passa despercebido pelos críticos da France Football.

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Do lado brasileiro, a esperança de quebrar um jejum que se arrasta desde Kaká, em 2007, repousa sobre os ombros de Raphinha. O atacante do Barcelona é considerado o terceiro favorito ao prêmio, uma posição de destaque que reflete sua temporada consistente e decisiva . Já Vinicius Junior, que no ano passado esteve na briga até o final, amargou uma inesperada 16ª colocação no ranking preliminar, um resultado que certamente alimentará debates sobre a volatilidade da preferência dos jornalistas votantes . A presença de outros brasileiros em categorias específicas, como Estêvão (Troféu Kopa, de melhor sub-21), Alisson (Troféu Yashin, de melhor goleiro) e o técnico da seleção feminina Arthur Elias, mostra que o país continua a produzir talentos de alto nível, mesmo sem conseguir o reconhecimento máximo .

O TRATEAQUI Notícias entende que a edição de 2025 da Bola de Ouro representa muito mais do que a simples eleição do melhor jogador do mundo. Ela é um reflexo preciso das tensões e contradições que assolam o futebol de elite na atualidade. De um lado, a tentativa da France Football de se reafirmar como a guardiã da tradição e do prestígio, usando a figura imaculada de Ronaldinho Gaúcho como um escudo contra as críticas. De outro, a resistência de gigantes como o Real Madrid, que não aceitam mais jogar pelas regras de uma premiação que consideram enviesada, e a frustração silenciosa de astros como Mbappé, cujo valor de mercado não se traduz em reconhecimento no tapete vermelho. É o conflito entre a essência romântica do esporte, personificada pelo sorriso do Bruxo, e a dura realidade de um negócio globalizado, onde interesses econômicos e políticos frequentemente falam mais alto que o talento dentro de campo.

Por fim, o gesto de Ronaldinho Gaúcho entregando o troféu ao vencedor será uma imagem para a história. Mas o legado desta noite em Paris será definido pelos desdobramentos que se seguirão. A Bola de Ouro conseguiu, com um convite magistral, trazer de volta um pouco do brilho e da credibilidade perdidos. No entanto, a recusa do Real Madrid em participar e a sub-representação de alguns dos maiores astros do esporte na disputa principal são sintomas de uma doença mais profunda. A pergunta que fica não é apenas quem será o melhor jogador do mundo, mas se o prêmio que leva esse nome ainda é capaz de sobreviver em um ecossistema futebolístico cada vez mais fragmentado e cínico. Ronaldinho, o eterno embaixador da alegria do futebol, pode iluminar a noite, mas dificilmente conseguirá, sozinho, apagar as sombras que se alongam sobre o futuro da mais cobiçada condecoração individual do esporte.

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