Oriundo de família política do Amapá e de formação anterior na Câmara dos Deputados, Davi Alcolumbre ascendeu à presidência do Senado em 2019 e retornou ao posto em 2025. Reconhecido por sua capacidade de articulação, transita como figura central entre conservadores e moderados, mantendo uma postura de equilíbrio entre apoio ao Planalto e preservação da autonomia legislativa.
Formação, Origens e Ascensão Política
Nascido em 19 de junho de 1977, em Macapá (AP), de ascendência judaica-marroquina, Davi Alcolumbre iniciou a carreira política como vereador (1999–2003) e deputado federal (2003–2015), antes de ser eleito senador com 36,3% dos votos em 2014 — o primeiro amapaense com cadeira no Senado Federal . No início do seu mandato, presidiu a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo.
Presença na Mesa do Senado e Liderança Conservadora
2019: Vitória Conturbada com Estilo Moderado
Em 2019, protagonizou uma eleição conturbada à presidência do Senado, conduzindo a sessão com manobra para votação aberta — decisão contestada por desrespeitar o regimento interno. Ainda assim, foi eleito com 42 votos, contando com apoio do governo Bolsonaro e de opositores de Renan Calheiros . Ao assumir, comprometeu-se com uma postura republicana, sem revanchismo e com foco no povo.
2025: Retorno com Independência
Eleito novamente em 1º de fevereiro de 2025 com 73 votos, assumiu a liderança do Senado com reputação de autonomia. Seu discurso defende o diálogo respeitoso com os outros poderes, mas deixando claro que o Legislativo não pode se omitir ou ceder frente a pressões. Essa postura provocou “desconfiança mútua” tanto do governo quanto do STF, especialmente sobre transparência em emendas parlamentares.
Atuação Legislativa e Defesa Institucional
- Em maio de 2016, defendeu o impeachment de Dilma Rousseff, citando irregularidades fiscais e falta de autorização legislativa para gastos extraordinários .
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Em 2019, como presidente do Congresso Nacional, devolveu ao Executivo medida provisória que violava a autonomia universitária ao nomear reitores temporários, afirmando compromisso com a gestão democrática das instituições.
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Ainda em 2019, decidiu pela devolução de parte da Medida Provisória que transferia demarcação de terras indígenas à Agricultura, valorizando transparência e segurança jurídica.
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Controvérsias e Investigações Éticas
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Desde 2019, é investigado no STF por suspeita de uso de notas fiscais falsas na campanha de 2014. Os casos foram inicialmente arquivados regionalmente, mas remontaram ao Supremo, sob relatoria da ministra Rosa Weber.
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Em 2021, a revista Veja reportou suposta “rachadinha” (partilha de salários de assessores) em seu gabinete, estimando prejuízo de R$2 milhões; Alcolumbre negou veementemente e afirmou estar sendo vítima de “campanha difamatória sem precedentes”.
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O Ministério Público junto ao TCU chegou a solicitar investigação formal com base no mesmo caso.
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Em 2024–2025, investigações também envolveram o uso de jato particular, alugado via empresa com contratos estaduais, para deslocamentos em benefício próprio.
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Pesou ainda a questão da prisão do primo Isaac Alcolumbre, envolvido em esquema de tráfico em aeródromo no Amapá, o que trouxe constrangimentos à imagem do senador mesmo que ele não fosse diretamente implicado .
Papel no Tabuleiro Político Nacional
Alcolumbre se destacou como mediador em polarizações, colaborando estrategicamente com pautas econômicas do governo Bolsonaro enquanto impunha freios institucionais ao ativismo radical da base bolsonarista. Em 2025, como presidente do Senado, atrasou sabatinas de indicados presidenciais em meio a tensão entre Legislativo e Executivo, sinalizando força institucional . Em reunião privada, elogiou o ministro Ramos como elo de interlocução com o governo, destacando sua postura institucional .
Conclusão Analítica
Davi Alcolumbre simboliza um perfil conservador pragmático, com forte senso institucional, transição relativamente limpa entre cargos de base e liderança nacional, e defensor genuíno da autonomia legislativa. Sua trajetória mostra capacidade de articulação e comando no Senado. Entretanto, o percurso não é isento de sombras: acusações graves – como rachadinha, irregularidades na campanha, uso de jato e familiares envolvidos em investigações criminais – colocam sua credibilidade à prova.
A tensão entre mérito real — na preservação institucional — e suspeitas éticas, exige fiscalização contínua. Seu legado poderá ser marcado tanto pela consolidação da independência do Congresso quanto pelo risco de erosão da confiança coletiva se as controvérsias não forem adequadamente dirimidas.
Fontes
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Fonte 1 – Perfil biográfico, formação política e histórico eleitoral – Wikipedia (en/PT) – acesso recente. WikipediaWikipédia
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Fonte 2 – Eleição à presidência do Senado em 2019: contexto, polêmicas e votação – Wikipedia e Observador/Portugal – acesso recente. WikipédiaObservadorUOL NotíciasSemana On
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Fonte 3 – Discurso inaugural sem revanchismo e apelo ao povo – Observador e UOL/BBC Brasil – acesso recente. ObservadorUOL Notícias
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Fonte 4 – Retorno à presidência em 2025, voto e independência legislativa – Senado Notícias – acesso recente. Senado Federal+1
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Fonte 5 – Desconfiança mútua entre Congresso, governo e STF – O Globo – acesso recente. O Globo
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Fonte 6 – Defesa do impeachment de Dilma (2016) – Pronunciamento oficial no Senado – acesso recente. Senado Federal
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Fonte 7 – Devolução da MP sobre reitores em 2020 – Reuters via Reddit – acesso recente. Reddit
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Fonte 8 – Medida governamental sobre demarcação indígena devolvida – Reuters via Reddit – acesso recente. Reddit
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Fonte 9 – Inquéritos no STF por notas fiscais na campanha de 2014 – Veja – acesso de 2019. VEJA
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Fonte 10 – Acusações de rachadinha no gabinete – Agência Senado (repercussão). Senado Federal
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Fonte 11 – Representação ao TCU sobre rachadinha – Reuters via Reddit – acesso 2021. Reddit
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Fonte 12 – Investigações sobre uso de jatinho ligado a empresa com contratos estaduais – Último Segundo (iG) – acesso recente. iG Último Segundo
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Fonte 13 – Prisão do primo e suspeitas de tráfico aéreo – Polícia Federal, via Reddit – acesso 2021. Reddit
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Fonte 14 – Papel institucional como mediador no governo Bolsonaro – Último Segundo (iG) – acesso 2025. iG Último Segundo
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Fonte 15 – Adiamento de sabatinas e tensão com o Executivo – O Globo – acesso 2025. O Globo
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Fonte 16 – Interlocução com governo via ministro Ramos – CNN Brasil – acesso 2025. CNN Brasil















