A Decisão Judicial e o Contexto da Denúncia
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) autorizou a quebra de sigilo de 233 perfis nas plataformas X (antigo Twitter) e YouTube que acusaram o youtuber Felca de pedofilia e assédio. A decisão, emitida pela juíza Flavia Poyares Miranda, obriga as redes a fornecerem dados cadastrais, endereços IP e registros de acesso dos usuários em até cinco dias, sob multa diária de R$ 200 em caso de descumprimento. O movimento judicial ocorreu após Felca publicar o vídeo “Adultização”, que denunciava a exploração infantil em conteúdos digitais e já acumula 37 milhões de visualizações. Nele, o influenciador expôs casos como o do paraibano Hytalo Santos, investigado pelo Ministério Público da Paraíba por promover vídeos com adolescentes em situações sexualizadas, consumo de álcool e danças provocantes.
Adultização: O Algoritmo que Alimenta a Exploração
Felca cunhou o termo “adultização” para descrever a sistematização da exposição de crianças e adolescentes em contextos adultos, como festas com bebidas alcoólicas e coreografias sensuais, visando monetização nas redes. Sua investigação revelou que algoritmos de plataformas como YouTube e Instagram impulsionam esses conteúdos para públicos pedófilos, transformando menores em commodities digitais. A promotora Ana Maria França, que investiga Hytalo Santos, destacou que a “exposição subliminar com conotação sexual” atraía comentários inapropriados de adultos, configurando um ecossistema criminoso.
Ataques Coordenados e a Resposta Jurídica
Durante a apuração, Felca seguiu perfis de influenciadores denunciados para coletar material, o que foi distorcido por usuários que o acusaram de “pedófilo” e “abusador”. A juíza Flavia Poyares Miranda identificou padrões de coordenação nos ataques: 233 perfis agiram em uníssono, com publicações sincronizadas e linguagem similar, sugerindo uma operação orquestrada. O advogado do youtuber, João de Senzi, publicou a lista completa das contas processadas e revelou que os IPs serão rastreados para investigar vínculos com grupos de desinformação ou bots. Para Felca, a vulgarização do termo “pedofilia” só beneficia criminosos reais.
O Acordo Polêmico e as Retaliações
Como alternativa aos processos, Felca propôs um acordo: os difamadores poderiam doar R$ 250 a instituições de proteção infantil (como Childhood Brasil e Fundação Abrinq) e publicar pedidos de desculpas para ter as ações arquivadas. Até o momento, 80 perfis aceitaram a proposta – cerca de 34% do total. Os que recusaram levantam suspeitas de estarem ligados a redes maiores. Paralelamente, o influenciador passou a andar com carro blindado e seguranças após sofrer ameaças. Seu advogado vinculou as intimidações a “interesses econômicos” afetados pela denúncia, incluindo setores de apostas online que Felca já criticara publicamente.
Teoria da Conspiração: A Máquina Política por Trás dos Ataques
Evidências apontam para uma articulação que transcende o cyberbullying. O timing dos ataques coincidiu com o auge das investigações de Felca, e táticas de gaslighting inverteram a narrativa do denunciante em criminoso. Setores da esquerda radical, historicamente alinhados a pautas que relativizam a proteção infantil, são suspeitos de financiar a campanha difamatória. Felca já havia criticado a CPI das Apostas, apoiada por políticos progressistas, e recusado R$ 50 milhões para promover bets. Para teóricos conservadores, a “internacional fascista” – termo recentemente revitalizado pela esquerda para descrever supostas redes de direita – serve de cortina de fumaça para ocultar alianças globais de grupos progressistas com plataformas digitais. Esses grupos usariam teorias conspiratórias para silenciar vozes conservadoras que ameaçam esquemas bilionários, como a indústria da exploração infantil.
A Batalha pela Infância e a Liberdade de Expressão
A quebra de sigilo é um marco na luta contra a impunidade digital, mas expõe uma guerra ideológica mais ampla. Enquanto a esquerda minimiza casos de exploração infantil, figuras como Felca arriscam a vida para defender valores conservadores: a proteção de menores e a responsabilidade nas redes. A investigação dos IPs pode revelar não apenas trolls, mas organizações com agendas políticas. Como declarou o influenciador, “vulgarizar ‘pedofilia’ só beneficia pedófilos” – e banalizar a luta contra ela é uma vitória da máquina de ódio.














