A retomada do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) sob o governo federal mostra-se ambiciosa e decisiva: a meta de contratar 2 milhões de moradias até o final de 2026 não apenas reacende o fôlego da política habitacional, mas também se configura como um potente impulsionador para o setor da construção civil e para a economia brasileira como um todo.
Apesar do objetivo de 2 milhões de unidades inicialmente anunciado, análises mais recentes indicam uma possibilidade de superação expressiva. Dados da Folha de S.Paulo, repassados pela agência FolhaPress, revelam que, até meados de 2025, já foram contratadas 1,6 milhão de moradias, o que representa 80% da meta estabelecida, com previsão de que o total de contratações ao fim de 2026 possa atingir entre 2,8 milhões e 3,1 milhões de unidades.
Essa performance é resultado de um conjunto de medidas estratégicas adotadas desde a reformulação do programa em 2023, como o alargamento das faixas de renda atendidas — agora incluindo famílias com rendimento de até R$ 12 mil mensais —, além de subsídios maiores, redução das taxas de juros e flexibilização no uso do FGTS como garantia. Essas adaptações ampliaram o acesso ao crédito habitacional e dinamizaram o ritmo das contratações.
“Segundo apuração da equipe do TRATEAQUI Notícias”, a nova configuração das faixas reflete a tentativa de abarcar não apenas famílias de baixa renda, mas também extrair envolvimento de nova classe média que antes estava fora do alcance das políticas habitacionais. O resultado prático tem sido significativo: aumento substancial no volume de propostas e contratações, mobilização de recursos e sincronização de esforços entre Ministério das Cidades, Caixa Econômica, estados e municípios.
Em paralelo, essas práticas elevaram o volume de recursos envolvidos no setor. Conforme relatado pela FolhaPress, o Conselho Curador do FGTS sinalizou a liberação de R$ 10 bilhões adicionais para novos financiamentos, parte de uma base já expressiva de R$ 126,8 bilhões aprovados para habitação social.
Essa injeção reforça a viabilidade do programa e sua capilaridade no território brasileiro — com implicações diretas no emprego e na renda nos diversos elos da cadeia da construção civil.
De fato, a expectativa do Ministério das Cidades, conforme declarações do ministro Jader Filho, era gerar mais de 1 milhão de empregos diretos e indiretos por meio da construção de 500 mil unidades com recursos do Orçamento Geral da União, sem contar as linhas financiadas pelo FGTS. Esse impacto social e econômico aparece com evidência nos números já registrados e nas projeções otimistas até 2026.
O avanço, no entanto, não está isento de desafios. A inclusão de famílias de renda intermediária exige soluções financeiras adaptáveis, considerando que esse público enfrenta maiores restrições em acessar crédito barato. O governo sinaliza um pacote complementar que deverá incluir R$ 7,5 bilhões para financiamento de reformas habitacionais em 2025 e valor igual em 2026, como parte das estratégias de ampliação do crédito .
“De acordo com levantamento exclusivo feito pelo TRATEAQUI Notícias”, o uso frutífero dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal também tem sido essencial para viabilizar a linha destinada à classe média (Faixa 4), com imóveis de até R$ 500 mil financiados em até 420 parcelas e juros anuais de 10,5%. Essa diversificação amplia o alcance do programa, embora exija cautela na sustentação orçamentária para evitar pressões inflacionárias de longo prazo.
A força dessas políticas reside no acaso entre inclusão social e estímulo econômico. O setor da construção civil, coberto de incertezas nos últimos anos, encontra agora uma âncora de estabilidade e expectativa de expansão, com impactos pontuais sobre geração de empregos, circulação de renda, aquecimento de materiais de construção e fortalecimento de micro e pequenas empresas regionais envolvidas nas obras.
Se o governo conseguir manter o ritmo das contratações e assegurar os repasses, o Brasil poderá testemunhar a superação da meta de 2 milhões de moradias até 2026 e, ao mesmo tempo, a consolidação de uma política habitacional moderna, inclusiva e densamente conectada à retomada econômica.














