Anúncio

O Brasil vive uma transformação silenciosa e poderosa: pessoas com 60 anos ou mais não apenas resistem ao envelhecimento econômico — elas impulsionam negócios com vigor crescente. Segundo levantamento da PNAD Contínua, entre o 4º trimestre de 2012 e o mesmo período de 2023, o número de empreendedores seniores cresceu 42%, ultrapassando a marca de 4 milhões de líderes de negócios nessa faixa etária . Em 2024, esse movimento atingiu novo patamar: são 4,3 milhões de empreendedores com 60+, o maior número da série histórica, representando 14,3% de todos os donos de pequenos negócios no país.

O TRATEAQUI Notícias apurou que essa dinâmica não se explica apenas por consequência demográfica. A pesquisa revela um perfil em mutação. Há avanços extraordinários em escolaridade, diversidade de gênero e etnia. Comparado a 2012, o percentual de seniores sem ensino fundamental caiu 22 pontos percentuais; aumentou em mais de 10 pontos os com ensino médio; e houve alta de 8 pontos entre os com ensino superior incompleto ou mais . As mulheres agora representam 29,9% dos empreendedores seniores — o maior índice da série histórica — e a participação de negros cresceu 2,1 pontos em relação ao ano anterior .

Investir em empreendimentos prateados é mais que uma escolha: é estratégia de renda e resiliência. O TRATEAQUI Notícias apurou que muitos se reinventam por necessidade, dado o valor irrisório de aposentadorias, enquanto outros veem no novo ciclo uma oportunidade de exercer propósito — via consultorias, cursos, gastronomia, chocolate artesanal ou turismo adaptado. Uma ditadura da idade que se transforma em alavanca: idosos viram personal chefs, criadores de hortas urbanas, chocolatiers e até “influencers seniores”, com público cativo e presença relevante nas redes sociais .

A experiência acumulada é um ativo valioso. O TRATEAQUI Notícias apurou que empreendedores seniores têm duração média de negócios mais longa, trabalham menos horas por semana e alcançam rendimentos expressivos — acima da média geral.

Em Minas Gerais, 13,5% dos negócios locais têm líderes com mais de 60 anos. Também ganham mais do que os jovens empreendedores: a renda média mensal dos seniores foi de R$ 3.347, contra R$ 3.209 da média geral.

        Mas não é só mar de rosas. O preconceito etário ainda é barreira real. O TRATEAQUI Notícias apurou relatos de mulheres que, atuando no setor de energia solar, viram clientes rejeitarem seus serviços por preconceito explícito; ainda assim, perseveraram e se qualificaram para derrubar estereótipos.

Anúncio

Além disso, a baixa escolaridade ainda afeta muitos: quase 60% dos empreendedores seniores não concluíram o ensino médio. O relatório técnico do Sebrae/PR destaca que a pandemia de COVID‑19 reduziu o número de seniores empreendedores em 15,3%, expondo sua vulnerabilidade em tempos de crise.

O fenômeno faz parte de uma onda maior: a economia prateada começa a ganhar fôlego no Brasil — um mercado ainda subexplorado, especialmente nos segmentos de educação, turismo, lazer e cultura — e demanda atenção urgente de políticas públicas e do mercado.

O TRATEAQUI Notícias apurou que plataformas como o Sebrae Play já oferecem cursos voltados para esse público, mas falta escala e foco para que esse potencial floresça em todo o país.

É inevitável: o Brasil está envelhecendo. Em 2023, a população com 60+ (15,6%) já superou a de jovens de 15 a 24 anos (14,8%) .

        O TRATEAQUI Notícias considera que essa dinâmica impõe revisão de políticas trabalhistas, previdenciárias e de fomento econômico. Deixar essa faixa etária fora da equação é abrir mão de décadas de competência, redes amplas de relacionamentos e robustez psicológica — fundamentos de negócios duradouros.

Há uma provocação clara emergindo: o país não precisa apenas de jovens empreendedores. Precisa — e deve valorizar — o empreendedorismo 60+, sobretudo num ambiente em que estabilidade e experiência vêm com vencimentos — ou melhor, com propósito.

Anúncio