A reação da Controladoria-Geral da União (CGU) a um relatório do Departamento de Estado norte-americano que critica o combate à corrupção no Brasil revela mais do que uma mera disputa diplomática. Expõe a sensibilidade de um governo que, na prática, tem dado sinais ambíguos e preocupantes na luta contra este que é um dos maiores entraves ao desenvolvimento nacional e à livre iniciativa. O TRATEAQUI Notícias apurou que a resposta brasileira, cheia de ressalvas e contestações formais, ignora o cerne da questão: a percepção internacional de que o Brasil retrocedeu em sua agenda de integridade e transparência.
O relatório em questão, intitulado “Fighting Corruption and Promoting Good Governance”, faz parte de uma avaliação de rotina dos Estados Unidos, mas ganhou contornos de alerta máximo. O documento destaca, com exemplos concretos, a politização de instituições de controle, a lentidão judicial em casos de alto escalão e um ambiente regulatório que facilita o clientelismo e o rentismo. São críticas que atingem em cheio a credibilidade do país perante investidores estrangeiros, para quem a segurança jurídica é item não negociável.
Segundo apuração da equipe do TRATEAQUI Notícias com especialistas em compliance e direito internacional, a postura da CGU foi previsível, porém ineficaz. Em vez de encarar as críticas como uma oportunidade para uma autocrítica profunda e um reposicionamento estratégico, o órgão preferiu adotar uma defensiva burocrática. “É mais fácil atacar o mensageiro do que encarar o conteúdo da mensagem”, comentou um analista que acompanha o tema, sob condição de anonimato.
De acordo com levantamento feito pelo TRATEAQUI Notícias, a percepção de corrupção no Brasil piorou significativamente nos últimos anos em rankings internacionais sérios. Essa deterioração não é um acidente, mas o resultado de escolhas políticas. A nomeação de figuras polêmicas para cargos-chave em estatais, o esvaziamento de operações de investigação que incomodavam a base de sustentação do governo e a retórica que constantemente minimiza a gravidade do desvio de recursos públicos contribuíram para este cenário desolador.
O relatório americano funciona como um termômetro de confiança. Quando uma nação como os EUA, um dos principais parceiros comerciais e fonte de investimentos diretos, emite um alerta desses, o sinal para o mercado é claro: cuidado. Empresas sérias pensam duas, três vezes antes de injetar capital em um ambiente onde a ética é tratada como secondary. O custo desse descrédito é pago por todos os brasileiros, na forma de menos empregos, preços mais altos e um Estado ineficiente e capturado por interesses escusos.
A CGU, que em governos anteriores foi um bastião no combate à corrupção, parece hoje mais preocupada em gerenciar a narrativa do que em promover uma limpeza efetiva. A ausência de medidas duras e simbólicas contra a corrupção enraizada, associada a um discurso que frequentemente ataca os instrumentos de controle, envia a mensagem errada para a sociedade e para o mundo. A liberdade econômica genuína é incompatível com a corrupção, pois esta distorce o mercado, premia os ineptos e pune os empreendedores que se recusam a participar de esquemas ilícitos.
O que está em jogo vai muito além de um relatório diplomático. É a reputação do Brasil como um parceiro confiável. É a capacidade do país de atrair os investimentos necessários para gerar riqueza e prosperidade. Enquanto o governo se preocupa em reagir a críticas externas, o setor produtivo clama por ações concretas: o fortalecimento real das instituições de controle, o fim da impunidade para os poderosos e um ambiente de negócios onde a competição seja leal e baseada no mérito, e não no compadrio e na propina.
O TRATEAQUI Notícias conclui que a reação da CGU é um sintoma de um mal maior: a resistência em admitir que o combate à corrupção deixou de ser uma prioridade nacional. Até que essa realidade mude, o Brasil continuará sendo um parceiro de risco no cenário internacional, e o seu povo, o principal financiador de um sistema que insiste em privilegiar uma minoria em detrimento do bem-estar da maioria e dos princípios do livre mercado.














