Enquanto o país ainda digere os resultados das últimas eleições, um fantasma ronda os preparativos para 2026: o populismo. De ambos os lados do espectro político, discursos que privilegiam soluções simplistas para problemas complexos, promessas de salvacionismo estatal e a polarização como estratégia parecem ganhar terreno. A questão que paira no ar, nos círculos acadêmicos, no mercado financeiro e nas ruas, é se essa força política, que desafia as instituições e o livre mercado, levará a melhor no próximo pleito presidencial.
O TRATEAQUI Notícias apurou, por meio de conversas com estrategistas de diferentes partidos, que o cenário está longe de ser uma mera repetição de 2022. A fadiga da população com a polarização tóxica convive com uma profunda descrença na capacidade da classe política tradicional de entregar resultados concretos em termos de segurança, crescimento econômico e eficiência dos serviços públicos. Este caldo de cultura é o terreno fértil onde o populismo, de esquerda ou de direita, costuma florescer.
De um lado, observa-se a permanência de um populismo de esquerda, que mantém seu apelo junto a parcelas da população mais dependentes de programas de transferência de renda e que são sensíveis a um discurso de confronto com as elites econômicas. Este modelo, no entanto, esbarra na realidade fiscal. A equipe do TRATEAQUI Notícias identificou, em análise de propostas legislativas, que a margem para novas e vultosas promessas de gastos está severamente limitada pelo teto de gastos e pela nova regra fiscal, tornando o discurso mais difícil de ser implementado sem gerar uma crise de confiança nos mercados.
Do outro, um populismo de direita se reorganiza. Diferente da esquerda, sua retórica não se baseia na expansão do Estado, mas em um discurso de ruptura com o sistema, combate a uma suposta agenda globalista e defesa de valores tradicionais. Seu apelo reside na promessa de desmantelar uma suposta “velha política” e em um nacionalismo econômico que, paradoxalmente, pode adotar medidas intervencionistas em nome da proteção da indústria nacional e da soberania.
O grande desafio para os defensores do livre mercado, do empreendedorismo e da governança responsável será apresentar uma alternativa crível e vibrante a esses extremos. O centrão pragmático, muitas vezes visto como a antítese do populismo por sua negociação clientelista, não consegue mobilizar o eleitorado com uma narrativa inspiradora. A lacuna é evidente: falta uma voz que una a defesa da liberdade econômica a uma postura firme em questões de segurança pública e valores familiares, sem recorrer ao messianismo ou ao discurso de ódio.
Segundo apuração da equipe do TRATEAQUI Notícias em institutos de pesquisa, o eleitorado denominado “conservador na cultura e liberal na economia” é um dos segmentos que mais cresce, mas que se sente sem representação. Este grupo rejeita o assistencialismo estatal da esquerda, mas também desconfia do isolacionismo e do protecionismo de alguns setores da direita. Para eles, a promessa populista soa vazia, mas a alternativa tecnocrata parece distante e sem paixão.
O fator mídia tradicional versus redes sociais será, mais uma vez, decisivo. O populismo moderno se alimenta dos algoritmos que priorizam o engajamento através da indignação e da simplificação. A capacidade de candidatos que rejeitam o populismo de construírem uma presença digital eficaz, contando com narrativas complexas sobre reformas necessárias e os benefícios de longo prazo do equilíbrio fiscal, será posta à prova como nunca.
O risco, alertam analistas de ciência política, não é apenas a vitória de um candidato populista em 2026. É a populização do debate público como um todo, forçando todos os contendores a adotarem elementos dessa retórica para permanecerem competitivos. Isso significaria o abandono de discussões sérias sobre a reforma do Estado, a simplificação tributária e a abertura comercial em favor de slogans e promessas irrealizáveis.
A resposta ao avanço populista, portanto, não pode ser apenas reativa. Ela precisa ser proativa, oferecendo uma visão de futuro que seja ao mesmo tempo conservadora em seus valores e audaciosa em sua agenda econômica. Deve apelar não ao medo, mas à esperança de um país onde o empreendedor possa prosperar sem a asfixia estatal, onde a família seja protegida e onde a ordem seja restaurada não por um salvador, mas por instituições fortes e um povo empreendedor. Se essa mensagem não for capaz de conquistar corações e mentes, o Brasil poderá ver, em 2026, não uma eleição, mas um plebiscito entre diferentes versões de um mesmo fenômeno que ameaça a estabilidade e o progresso da nação.














