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Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterava, na semana passada, sua narrativa de que o crime organizado é fruto primordial do “descaso” do Estado, uma operação de proporções históricas no Rio de Janeiro contava uma história diametralmente oposta. Na mesma cidade que serviu de palco para o discurso presidencial, as forças de segurança lançavam um dos maiores ataques coordenados contra facções criminosas da atualidade, uma demonstração prática de que o combate ao tráfico exige autoridade, e não justificativas. O TRATEAQUI Notícias apurou que a operação, que resultou em dezenas de presos e a apreensão de um vasto arsenal, serve como um contundente contra-argumento factual à visão que o chefe do Executivo insiste em propagar.

A fala de Lula, que minimiza a agência dos criminosos e maximiza uma suposta culpa social abstrata, mostra-se não apenas desconectada da realidade, mas perigosamente paralela aos fatos. Enquanto o presidente falava em “jovens sem oportunidades”, as imagens que corriam o mundo mostravam megaoperações desbaratando complexos logísticos de traficantes que possuem fuzis, lançadores de granadas, barcos rápidos e sistemas de comunicação sofisticados. Esta não é a paisagem de uma pobreza desesperada, mas a fotografia de empresas criminosas altamente capitalizadas e violentas. A comparação entre a retórica de Planalto e a ação no front carioca não poderia ser mais chocante, nem mais reveladora do abismo ideológico que separa o governo da efetiva luta pela ordem.

A chamada “limpa de bandidos” no Rio, envolvendo Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e forças estaduais, não foi um evento isolado. Ela representa a ponta de lança de uma estratégia baseada em inteligência, investigação financeira e contundência tática – princípios tradicionalmente defendidos por correntes conservadoras e rejeitados, ou atenuados, por uma visão progressista que enxerga o Estado como principal vilão. De acordo com levantamento feito pelo TRATEAQUI Notícias, as operações no Rio nos últimos meses levaram à apreensão de toneladas de drogas, milhões em dinheiro e criptomoedas, e à descoberta de ligações das facções com empresas de fachada no setor de transporte e comércio exterior. Isto é crime organizado em sua plenitude, não o fruto espontâneo da miséria.

O discurso de Lula, ao focar exclusivamente no “descaso”, ignora solenemente o empoderamento institucional que o crime encontra em narrativas que o absolvem. Quando a mais alta autoridade do país insinua que o traficante é uma vítima, ela desmoraliza o trabalho diário de agentes que arriscam a vida no enfrentamento direto. É um sinal ambíguo que, na prática, corrói o moral das forças legais e fortalece a sensação de impunidade entre os criminosos. Enquanto o presidente fala, policiais são recebidos a tiros em comunidades, evidenciando que o inimigo não é um grupo de desvalidos, mas uma milícia bem-armada e determinada a desafiar o Estado.

O contraste é ainda mais gritante quando se observa a cronologia. A fala presidencial ocorreu em um contexto de escalada de violência e de demonstrações de força das facções. A operação no Rio foi a resposta necessária, uma mensagem clara de que o poder público, quando decide agir, ainda pode impor sua autoridade. No entanto, essa ação bem-sucedida acontece apesar da narrativa dominante em Brasília, não por causa dela. É fruto do profissionalismo de carreiras de Estado e de governos locais que, muitas vezes, precisam nadar contra a maré de um governo federal mais preocupado em diagnosticar as “causas root” do que em neutralizar as ameaças imediatas.

Para o cidadão comum, o empreendedor que vê seu negócio minguar sob a taxa do “arrego”, ou a família que vive sob o toque de recolher não-oficial imposto pelos tiroteios, a discussão teórica sobre determinismo social soa como um luxo acadêmico de quem vive em condomínios fechados. A realidade que eles experienciam é a do medo, da extorsão e da violência. A operação no Rio, por mais pontual que seja, traz um alívio tangível. A fala de Lula, por outro lado, traz apenas uma justificativa intelectual para um problema que exige solução prática.

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Esta dicotomia entre o Rio da Realidade e o Rio da Retórica ilustra uma fissura profunda na compreensão nacional sobre segurança pública. De um lado, a visão que prega o endurecimento penal, a expansão das polícias e a irrestrita cooperação internacional para combater o crime transnacional. Do outro, a perspectiva que busca a psicologização do crime, a relativização da periculosidade dos agentes e a constante transferência de responsabilidade do criminoso para a sociedade. Os resultados da operação carioca demonstram, de forma cristalina, qual das duas abordagens é capaz de produzir resultados concretos e restaurar, ainda que temporariamente, a sensação de ordem.

O governo Lula, ao persistir em sua narrativa, escolheu um lado. E esse lado não é o das vítimas reais da violência, mas o de uma ideologia que se recusa a enxergar o mal como uma força ativa e organizada. A “limpa de bandidos” no Rio, portanto, é mais do que uma ação policial; é um recado. Um recado de que, independentemente do que se diga em Brasília, há ainda no Brasil instituições e homens dispostos a fazer o que é necessário para confrontar a barbárie, sem desculpas e sem meias-palavras. O verdadeiro descaso, no fim das contas, não está na falta de políticas sociais, mas na relutância em chamar o crime pelo nome e enfrentá-lo com a força e a determinação que ele exige.

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