TRUMP E LULA: TENSÃO ELEITORAL E TARIFAÇO
O custo do alinhamento ideológico global recai invariavelmente sobre as costas de quem produz, empreende e sustenta as contas do país.
As recentes avaliações reservadas que emanaram dos gabinetes do Palácio do Planalto expõem o tamanho da fatura que a diplomacia de palanque acabou por cobrar da economia brasileira. Embora o governo descarte qualquer ação coercitiva armada por parte de Washington, a projeção oficial reconhece uma escalada sem precedentes de isolamento comercial, represálias regulatórias e sanções que prometem sufocar o setor produtivo nacional até o pleito de outubro de 2026. A investigação conduzida sob a Seção 301 do Trade Act norte-americano e as taxas retaliatórias aplicadas de forma ostensiva não surgiram por acaso; são o desfecho previsível de uma política externa pautada no antagonismo voluntário aos mercados ocidentais e na cooptação do Estado brasileiro por agendas de alinhamento emergente sem pragmatismo econômico.
A tentativa da máquina estatal de vitimizar a própria gestão diante do eleitorado revela uma estratégia de comunicação que prioriza a manutenção da narrativa política em detrimento da saúde financeira das empresas brasileiras. O Planalto calcula abertamente que a pressão tarifária de 25% imposta pelos Estados Unidos, somada aos sobretaxamentos suplementares por alegadas assimetrias competitivas, pode ser convertida em palanque eleitoral do tipo nós contra eles. Trata-se de um cálculo cínico. Enquanto a burocracia governamental transforma contendas diplomáticas em combustível para militância partidária, as cadeias de suprimento da agroindústria, da manufatura avançada e do ecossistema de tecnologia nacional absorvem o prejuízo real do fechamento das portas do maior mercado consumidor do planeta.
A inclusão de mecanismos vitais de pagamentos digitais como o Pix e de diretrizes de governança de dados na lista de retaliações comerciais norte-americanas evidencia como o intervencionismo estatal ultrapassou as fronteiras domésticas e contaminou as relações bilaterais. Em vez de fomentar um ecossistema de negócios dinâmico, baseado na livre iniciativa, na segurança jurídica e na proteção irrestrita da propriedade privada, a condução econômica atual preferiu criar fricções institucionais que justificam o avanço regulatório. O resultado é a fragilização do ambiente de negócios brasileiro perante investidores internacionais, que passam a enxergar o país não como um porto seguro de capital e inovação, mas como uma jurisdição de alto risco de imprevisibilidade política e ingerência jurídica.
É imperativo destacar que o pagador de impostos brasileiro já suporta uma das cargas tributárias mais sufocantes do mundo emergente para bancar um orçamento público permanentemente deficitário e aparelhado. Adicionar a esse fardo estrutural o custo de sanções internacionais decorrentes de posições geopolíticas questionáveis é uma irresponsabilidade fiscal e moral indisfarçável. O agronegócio nacional, que historicamente garante os superávits da balança comercial brasileira graças ao seu dinamismo e ganhos contínuos de produtividade, vê suas margens de rentabilidade corroídas para sustentar discursos inflamados que nada agregam ao desenvolvimento da nação. A prosperidade de uma sociedade livre não se constrói com subsídios estatais compensatórios criados às pressas pelo BNDES para estancar a sangria que o próprio governo ajudou a causar, mas com mercados abertos, concorrência e respeito aos contratos.
À medida que nos aproximamos das eleições de 2026, a sociedade civil e a classe produtiva precisam decidir se continuarão tolerando a instrumentalização ideológica das instituições ou se demandarão um retorno imediato aos fundamentos da tradição ocidental: liberdade econômica, império da lei e sobriedade nas relações diplomáticas. A soberania autêntica não é aquela que busca o aplauso fácil em fóruns internacionais enquanto isola suas indústrias e encarece o custo de vida dos cidadãos; a verdadeira soberania brota do trabalho de uma população forte, de uma moeda sadia e de garantias inegociáveis para quem arrisca o seu próprio patrimônio para gerar riqueza e empregos no Brasil.

